HIPÁTIA DE ALEXANDRIA: GENIALIDADE E TRAGÉDIA

Por Juliana Vannucchi

Hipátia de Alexandria foi uma das intelectuais mais incríveis que já existiram. O que se conhece a seu respeito provém de documentos antigos. Infelizmente, não há tantas informações sobre sua vida, embora haja consenso e certeza a respeito de que ela foi uma mulher muito culta e isso proporcionou um grande reconhecimento dentre seus conterrâneos e um profundo impacto no período em ela viveu. Sabe-se que Hipátia obteve grande destaque em várias áreas do conhecimento, tais como a matemática, a filosofia e a astronomia e que lecionou sobre esses assuntos. Mas sua marca na histórica se dá especialmente pelos notáveis estudos nos dois primeiros campos, ou seja, nas áreas da matemática e da filosofia. Na época em que viveu, poucas mulheres tomavam o rumo intelectual que Hipátia trilhou. Nesse sentido, podemos dizer que sua vida foi um tanto diferente da vida da grande parte das mulheres do mundo antigo. Além disso, mesmo diante dos homens de seu tempo, ela sobressaiu muito por sua grandiosa sabedoria.

Hipátia nasceu em aproximadamente 370 d.C., na próspera cidade de Alexandria, localizada no Egito, no delta do Nilo, e que foi fundada pelo conquistador Alexandre, o Grande, em aproximadamente 330 a.C.. Esse local foi um grandioso polo cultural do mundo antigo e abrigou uma biblioteca muito conhecida, chamada “Biblioteca de Alexandria”, que abrigava um acervo extenso sobre temas bem diversificados. Hipátia era filha de um homem chamado Theon, que foi um importante e respeitado matemático, astrônomo e filósofo de Alexandria e que, certamente, teve grande influência no desenvolvimento intelectual da filha. Ela, inclusive, contribuiu com alguns livros escritos por seu pai, embora se acredite que ela mesma tenha escrito livros de sua própria autoria. Infelizmente, seus escritos se perderam com o tempo, ainda que geralmente se considerem que alguns conhecidos comentários sobre matemática e sobre alguns matemáticos como Euclides e Ptolomeu, tenham sido escritos por ela.

Hipátia se aproximou muito do Neoplatonismo e do Neopitagorismo, duas correntes de pensamento que reacendiam estudos sobre a filosofia Platão e do pré-socrático Pitágoras. Além disso, aparentemente, ela também nutriu interesse pela obra do filósofo Plotino, embora não haja certeza sobre isso. Conta-se também que, embora tivesse essas preferências a enfoques filosóficos, era capaz de comentar também sobre as obras de outros filósofos. Além desses conhecimentos filosóficos, era também extremamente hábil com os números e tinha uma afinidade impressionante com a matemática.

Sabemos que as aulas ministradas por Hipátia eram frequentadas tanto por alunos pagãos quanto cristãos. Além disso, parte de seus alunos eram pessoas de boa condição financeira, muitas vezes próximas de membros do governo. E ela não só ministrava aulas, como também dava palestras sobre temas diversos, sendo que muitas vezes realizava essas atividades em locais públicos, ainda que existam relatos de que também dava aulas em sua própria casa. Hipátia era, aliás, muito admirada e querida por seus alunos, que tinham um grande respeito por ela. Um deles, chamado Sinésio de Cirene, com o qual ela trocou correspondência, escreveu que sua tutora teria criado um hidrômetro e um astrolábio. No entanto, há quem diga que, na verdade, ela não foi a criadora desses instrumentos, mas que com muita destreza conseguiu construir os dois.

Pelo que se sabe, Hipátia de Alexandria conservou sua virgindade até o final de sua vida. Um fato interessante é que, certa vez, ao ser questionada sobre o porquê de nunca ter se casado, ela prontamente respondeu que era casada com a verdade. Há uma outra história sobre Hipátia que se tornou bem conhecida. Ela era uma mulher inteligente, carismática e também muito bela. Certa vez, um de seus alunos acabou se apaixonando por ela e Hipátia, sabendo dos sentimentos do rapaz, numa ocasião, entregou a ele um pano sujo com seu sangue menstrual, perguntou a ele se ele gostava daquilo e garantiu que ali não havia nenhum tipo de beleza.

Outra situação que marcou muito a história de Hipátia de Alexandria é sua morte, que foi trágica e violenta. Em 415, no mês de março, ela estava andando pelas ruas de sua cidade natal, quando, de repente, em plena rua, foi abordada por um grupo de cristãos que a levaram para dentro de uma igreja, na qual Hipátia foi despida e cruelmente torturada, tendo seu corpo dilacerado e despedaçado com pedaços de cerâmica. Após essa brutalidade, as partes que restaram de seu corpo foram atiradas numa fogueira. Esse terrível ato teria sido motivado por questões religiosas e políticas.

Embora não tenhamos informações vastas sobre sua vida e seus feitos, o que sabemos a respeito de Hipátia é suficiente para que a consideremos como uma das mulheres mais célebres de toda a história. Mesmo com a carência de detalhes sobre sua vida e sobre suas possíveis obras, o nome de Hipátia de Alexandria atravessou o tempo e se tornou lendário. Ela continua sendo muito influente e existem até mesmo revistas feministas com o seu nome. Hipátia também serviu de inspiração para alguns pintores e houve até mesmo uma adaptação cinematográfica sobre a vida dessa ilustre mulher.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

GOMES, Vanessa. A Vida de Hipátia de Alexandria. //mulheresnamatematica.sites.uff.br/wp-content/uploads/sites/237/2018/06/A-Vida-de-Hip%C3%A1tia-de-Alexandria.pdf Acesso em 25/09/2019.

Acesso em 25/09/2019.

SERBAN, Anne. Hypatia Of Alexandria. //kobotis.net/math/MathematicalWorlds/Fall2016/131/Biography/Hypatia.pdf Acesso em 22/09/2019.

OLIVEIRA, Loraine. Vestígios da Vida de Hipácia de Alexandria. Acesso em 22/09/2019.

COELHO, Alexandra Lucas. O Espelho de Hipátia. //www.publico.pt/2009/12/30/culturaipsilon/noticia/o-espelho-de-hipatia-248062> Acesso em 25/09/2019.

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